Quilombos em Santa Catarina
Em Santa Catarina estima-se em 200 comunidades remanescentes de quilombo (segundo o INCRA). Destas apenas
oito estão certificadas.
Na Região do Planalto Catarinense
No Planalto Serrano Catarinense a chegada dos primeiros negros data de 1766, quando o tropeiro Antonio Correia
Pinto veio para fundar Lages, trazendo uma população heterogênea, formada por índios, mestiços, mamelucos e negros.
O comércio de gado entre São Paulo e Minas, onde São Paulo abastecia de gado a região de Minas Gerais, trouxe para
o Planalto Catarinense os tropeiros e os negros na condição de escravos.
Atualmente sabe-se da existência de várias comunidades negras rurais que estão em processo de auto-identificação
nesta região. No entanto, até o momento, somente duas obtiveram o reconhecimento da Fundação Cultural Palmares/
Ministério da Cultura e já estão certificadas:
1. Comunidade Remanescentes do Quilombo Invernada dos Negros em Campos Novos;
2. Comunidade Remanescentes do Quilombo Campos do Poli, em Fraiburgo.
Comunidade Remanescentes do Quilombo Invernada dos Negros - Campos Novos
A Invernada dos Negros é uma área de terra que tem origem na ocupação por descendente de africanos
que chegaram na região do Planalto de Santa Catarina no século XVIII, na condição de escravos.
Localizada no município de Campos Novos, a aproximadamente 22 quilômetros do centro, o acesso à terra foi
garantido por um testamento de Mateus José de Souza Oliveira em 1877, para os ex-escravos Damázia, Margarida,
Manuel e Francisco, Joaquim, Salvador, Innocencia, Domingos, Jermias, Pedro e Josepha. Atualmente cerca de 150
famílias vivem na localidade da Corredeira.
O Testamento
O testamento condiciona a doação das terras ao uso indivísível e inalienável e a cláusula testamentária foi atacada
pelos negros escravizados enquanto um princípio de organização dos herdeiros e suas famílias na ocupação das terras.
No entanto, não foi plenamente reconhecida. Uma ação de divisão das terras, iniciada em 1928 e concluída em 1940,
impetrada por um advogado da cidade, resultou na demarcação de uma área como Invernada dos Negros.
A ação estabeleceu a divisão das terras herdadas em uma parte separadas em quinhões para 32 famílias de herdeiros
que, segundo a ação, estavam ocupando a área naquele momento; e outra parte ou quinhão (totalizando mais da metade
das terras) como pagamento dos honorários do advogado. Os herdeiros questionam os aspectos sobre a legitimidade do
procedimento.
Características da População
Os membros da comunidade se reconhecem como herdeiros legítimos dos Garipuna, dos Fernandes, dos Souza (ou
Farrapos) e dos Gonçalves. Utilizavam a categoria de moreno ou de negro, como forma de auto-identificação que remete
aos descendentes dos escravizados e ao processo de resistência histórica. As expressões "somos todos morenos" ou "somos
todos pretos" estão diretamente relacionados ao pertencimento étnico e de território.
Práticas Culturais
A prática do "puxerão" e de "ajutório", está ligada à coletividade tradicional, fundamentada em princípios de
reciprocidade e solidariedade, de união e trabalho, cuja realização só é possível devido à força que emana do parentesco,
do compadrio e da amizade. É lembrada, na comunidade, como uma forma de ajuda para aqueles que necessitavam de
auxílio na realização da lavoura. Por isso essa prática também recebe o nome de "ajutório". Uma das características que
marcam este tipo de atividade é a alegria das festas pela comunhão e pela força do trabalho coletivo.
Na Comunidade Invernada dos Negros, os puxerões também eram acompanhados de bailes e festas que duravam
a noite toda. Podiam ser realizados a pedido de alguém ou então quando era identificada a necessidade de ajuda em alguma
família. Neste último caso é chamado de bater surpresa, como lembra dona Angelina Garipuna, uma das lideranças da
Comunidade.
As carreiradas - É uma das festas mais presentes na memória dos remanescentes da comunidade. Constituía-se em
corridas de cavalo e na venda da produção de laranja, doces e pães.
A Festa do Divino e os Ensaios de Promessas - Eram festas religiosas católicas, em que todas as famílias participavam.
A Festa do Divino não era realizada na capela ou igreja, mas, nas casas das pessoas.
Artesanato - O tear com lã de ovelha é uma herança das mulheres ancestrais e continua ser produção de algumas, na
comunidade. Com a lã, são produzidos acolchoados, blusas, mantas, etc.
Música e Dança - Diferente do nordeste e do sudoeste, que conseguiram preservar o ritmo e a corporeidade africana,
em Santa Catarina as influências de outras culturas e etnias são percebidas. As músicas e as danças gaúchas prevalecem
na comunidade, com base no ritmo da sanfona e da viola.
Na Região Sul
Ao longo da história da escravidão negro-africana, foram se formando quilombos em todo o território brasileiro,
e as formas de organização não obedecem a um único padrão. Nesta região Sul de Santa Catarina, encontram-se três
quilombos certificados pela Fundação Cultural Palmares, a saber:
1. Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque - Praia Grande;
2. Comunidade Remanescentes do Quilombo Morro do Fortunato - Garopaba;
3. Comunidade Remanescentes do Quilombo Santa Cruz (Toca) - Paulo Lopes;
E ainda a Comunidade Remanescentes do Quilombo da Aldeia, em processo de certificação.
Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque
No sul do estado, na região da Serra Geral, está localizada a Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque,
nos atuais municípios de Praia Grande (litoral sul do estado de Santa Catarina) e Mampituba (litoral norte de do Rio
Grande do Sul), a Comunidade Quilombola São Roque identifica seu passado com o regime escravista desenvolvido
na região serrana.
São Francisco de Paula de Cima da Serra (por vezes chamada de Cima da Serra) é a região da Serra Geral que está
conectada histórica e geograficamente à Comunidade São Roque.
A Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque surgiu a partir da dinâmica social e territórial que se estabeleceu
entre as regiões da serra e do litoral. A origem de São Roque está ligada a escravos fugidos e a trabalhadores negros
que se deslocavam para a região.
Características da População
Os Remanescentes de São Roque se autoidentificam através de um profundo conhecimento dos seus ancestrais
escravizados. Embora parte da comunidade seja miscigenada, o pertencimento se define pela genealogia, a partir dos
ancestrais escravizados.
Ameaça da Preservação Física e Cultural
A partir da década de 1970, a comunidade começou a sofrer uma séria ameaça. De um lado uma grande enchente,
em 1974, obrigou muitas famílias tradicionais a buscar abrigo nas cidades vizinhas, perdendo as terras; de outro,
a implantação dos Parques Nacionais Aparados da Serra Geral restringiu as áreas de produção da comunidade.
Práticas Culturais
A cultura de São Roque se traduz na luta para a manutenção da comunidade como um espaço de liberdade. A
preservação é seu marco cultural, o plantio de manejo e as queimadas controladas foi o que garantiu a fertilidade das
terras. Na comunidade desenvolveram-se as lavouras de milho, feijão, mandioca e banana.
As Carreiras - As raias eram os lugares onde aconteciam as carreiras (corridas) de cavalos e se constituíam em
espaços de socialização. Passavam o dia todo nas raias, vendiam vinho, cartuchos de amendoim com açúcar e realizavam
também os bailes.
Religiosidade - A maioria da comunidade se identifica como católicos, embora existam evangélicos.
Comunidade de Santa Cruz
Localizada no município de Paulo Lopes, ali residem aproximadamente 30 famílias descendentes de africanos
escravizados. Fixaram-se na localidade que hoje é chamada de rua Santa Cruz. Desenvolveram atividades relacionadas
à agricultura e artesanato cultural, embora parte da comunidade seja constituída por trabalhadores assalariados.
Comunidade Remanescentes do Quilombo do Morro do Fortunato
Localizada no município de Garopaba nas proximidades da Lagoa do Siriú. Constituiu-se esta localidade
a partir da área de terras de Fortunato Justino Machado, filho da escrava Joana. Atualmente vivem na área
aproximadamente 30 famílias e a falta de condições e infraestrutura não difere das outras comunidades. Os engenhos
de cana-de-açúcar e de farinha de mandioca garantiram a preservação física e cultural da comunidade. Já cultivaram
culturas de café, feijão, banana e palmito. Hoje parte da comunidade vive de trabalho assalariado.
Práticas Culturais
Brincadeiras infantis - As carretilhas são brincadeiras tradicionais.
Religiosidade - São na maioria católicos, havendo também na comunidade adeptos da Igreja Adventista do Sétimo
Dia.
Comunidade Remanescentes do Quilombo Aldeia
Localizada no município de Garopaba, localidade de Campo Duna, com potencialidades para o turismo cultural
a ser desenvolvido no Histórico Engenho de Farinha da Família Passos.
Embora a comunidade se autoidentifique como quilombola e tenha encaminhado toda a exigência do Decreto nº. 4887/03,
ainda não recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares.
Região do Alto Vale do Itajaí
Comunidade Remanescentes do Quilombo Sertão do Valongo
É uma comunidade bastante peculiar. Moram no local cerca de 80 pessoas. A localidade pertence ao município
de Porto Belo. Os moradores são todos descendentes de africanos e praticantes da igreja Adventista do Sétimo Dia.
A palavra VALONGO, segundo os mais antigos, pode significar um local no meio da mata, onde se encontra
um grande vale. Todos os valonguenses de hoje são membros das três famílias: Caetano, Costa e Fayal.
Comunidade Quilombola do Morro do Boi
Numa localidade em meio à mata atlântica, está a Comunidade Remanescentes do Quilombo do Morro do Boi, no
município de Balneário Camboriú. Os moradores relatam que os primeiros habitantes daquela localidade eram escravos
fugidos de Tijucas. Ali residem 16 famílias.
As mulheres atuam como trabalhadoras domésticas em Camboriú e região, e os homens lidam com as atividades
na comunidade e trabalhos assalariados na região do entorno, como as de pedreiro e servente.
Atualmente produziam arroz, mandioca, milho, café, fumo e palmito. Vendiam ou trocavam na cidade por produtos
que necessitavam. Faziam o trajeto de carro de boi ou a pé.
Foram atendidos por um projeto de extensão da Universidade do Vale do Itajaí quando organizaram uma associação
para acompanhar o processo de reconhecimento de sua comunidade. A associação, além de tratar dos assuntos da
comunidade, confecciona bonecas, a Abayomi. A comunidade produz e vende as bonecas aprendidas em uma oficina em
Itajaí e a atividade tornou-se uma fonte de renda.
ABAYOMI: a palavra possui alguns significados, dentre os quais, "meu presente" e "encontro feliz". Conta-se que as
africanas escravizadas faziam bonecas com pedaços de pano de suas vestes para distrair as crianças nos navios negreiros.
Em Santa Catarina estima-se em 200 comunidades remanescentes de quilombo (segundo o INCRA). Destas apenas
oito estão certificadas.
Na Região do Planalto Catarinense
No Planalto Serrano Catarinense a chegada dos primeiros negros data de 1766, quando o tropeiro Antonio Correia
Pinto veio para fundar Lages, trazendo uma população heterogênea, formada por índios, mestiços, mamelucos e negros.
O comércio de gado entre São Paulo e Minas, onde São Paulo abastecia de gado a região de Minas Gerais, trouxe para
o Planalto Catarinense os tropeiros e os negros na condição de escravos.
Atualmente sabe-se da existência de várias comunidades negras rurais que estão em processo de auto-identificação
nesta região. No entanto, até o momento, somente duas obtiveram o reconhecimento da Fundação Cultural Palmares/
Ministério da Cultura e já estão certificadas:
1. Comunidade Remanescentes do Quilombo Invernada dos Negros em Campos Novos;
2. Comunidade Remanescentes do Quilombo Campos do Poli, em Fraiburgo.
Comunidade Remanescentes do Quilombo Invernada dos Negros - Campos Novos
A Invernada dos Negros é uma área de terra que tem origem na ocupação por descendente de africanos
que chegaram na região do Planalto de Santa Catarina no século XVIII, na condição de escravos.
Localizada no município de Campos Novos, a aproximadamente 22 quilômetros do centro, o acesso à terra foi
garantido por um testamento de Mateus José de Souza Oliveira em 1877, para os ex-escravos Damázia, Margarida,
Manuel e Francisco, Joaquim, Salvador, Innocencia, Domingos, Jermias, Pedro e Josepha. Atualmente cerca de 150
famílias vivem na localidade da Corredeira.
O Testamento
O testamento condiciona a doação das terras ao uso indivísível e inalienável e a cláusula testamentária foi atacada
pelos negros escravizados enquanto um princípio de organização dos herdeiros e suas famílias na ocupação das terras.
No entanto, não foi plenamente reconhecida. Uma ação de divisão das terras, iniciada em 1928 e concluída em 1940,
impetrada por um advogado da cidade, resultou na demarcação de uma área como Invernada dos Negros.
A ação estabeleceu a divisão das terras herdadas em uma parte separadas em quinhões para 32 famílias de herdeiros
que, segundo a ação, estavam ocupando a área naquele momento; e outra parte ou quinhão (totalizando mais da metade
das terras) como pagamento dos honorários do advogado. Os herdeiros questionam os aspectos sobre a legitimidade do
procedimento.
Características da População
Os membros da comunidade se reconhecem como herdeiros legítimos dos Garipuna, dos Fernandes, dos Souza (ou
Farrapos) e dos Gonçalves. Utilizavam a categoria de moreno ou de negro, como forma de auto-identificação que remete
aos descendentes dos escravizados e ao processo de resistência histórica. As expressões "somos todos morenos" ou "somos
todos pretos" estão diretamente relacionados ao pertencimento étnico e de território.
Práticas Culturais
A prática do "puxerão" e de "ajutório", está ligada à coletividade tradicional, fundamentada em princípios de
reciprocidade e solidariedade, de união e trabalho, cuja realização só é possível devido à força que emana do parentesco,
do compadrio e da amizade. É lembrada, na comunidade, como uma forma de ajuda para aqueles que necessitavam de
auxílio na realização da lavoura. Por isso essa prática também recebe o nome de "ajutório". Uma das características que
marcam este tipo de atividade é a alegria das festas pela comunhão e pela força do trabalho coletivo.
Na Comunidade Invernada dos Negros, os puxerões também eram acompanhados de bailes e festas que duravam
a noite toda. Podiam ser realizados a pedido de alguém ou então quando era identificada a necessidade de ajuda em alguma
família. Neste último caso é chamado de bater surpresa, como lembra dona Angelina Garipuna, uma das lideranças da
Comunidade.
As carreiradas - É uma das festas mais presentes na memória dos remanescentes da comunidade. Constituía-se em
corridas de cavalo e na venda da produção de laranja, doces e pães.
A Festa do Divino e os Ensaios de Promessas - Eram festas religiosas católicas, em que todas as famílias participavam.
A Festa do Divino não era realizada na capela ou igreja, mas, nas casas das pessoas.
Artesanato - O tear com lã de ovelha é uma herança das mulheres ancestrais e continua ser produção de algumas, na
comunidade. Com a lã, são produzidos acolchoados, blusas, mantas, etc.
Música e Dança - Diferente do nordeste e do sudoeste, que conseguiram preservar o ritmo e a corporeidade africana,
em Santa Catarina as influências de outras culturas e etnias são percebidas. As músicas e as danças gaúchas prevalecem
na comunidade, com base no ritmo da sanfona e da viola.
Na Região Sul
Ao longo da história da escravidão negro-africana, foram se formando quilombos em todo o território brasileiro,
e as formas de organização não obedecem a um único padrão. Nesta região Sul de Santa Catarina, encontram-se três
quilombos certificados pela Fundação Cultural Palmares, a saber:
1. Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque - Praia Grande;
2. Comunidade Remanescentes do Quilombo Morro do Fortunato - Garopaba;
3. Comunidade Remanescentes do Quilombo Santa Cruz (Toca) - Paulo Lopes;
E ainda a Comunidade Remanescentes do Quilombo da Aldeia, em processo de certificação.
Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque
No sul do estado, na região da Serra Geral, está localizada a Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque,
nos atuais municípios de Praia Grande (litoral sul do estado de Santa Catarina) e Mampituba (litoral norte de do Rio
Grande do Sul), a Comunidade Quilombola São Roque identifica seu passado com o regime escravista desenvolvido
na região serrana.
São Francisco de Paula de Cima da Serra (por vezes chamada de Cima da Serra) é a região da Serra Geral que está
conectada histórica e geograficamente à Comunidade São Roque.
A Comunidade Remanescentes do Quilombo São Roque surgiu a partir da dinâmica social e territórial que se estabeleceu
entre as regiões da serra e do litoral. A origem de São Roque está ligada a escravos fugidos e a trabalhadores negros
que se deslocavam para a região.
Características da População
Os Remanescentes de São Roque se autoidentificam através de um profundo conhecimento dos seus ancestrais
escravizados. Embora parte da comunidade seja miscigenada, o pertencimento se define pela genealogia, a partir dos
ancestrais escravizados.
Ameaça da Preservação Física e Cultural
A partir da década de 1970, a comunidade começou a sofrer uma séria ameaça. De um lado uma grande enchente,
em 1974, obrigou muitas famílias tradicionais a buscar abrigo nas cidades vizinhas, perdendo as terras; de outro,
a implantação dos Parques Nacionais Aparados da Serra Geral restringiu as áreas de produção da comunidade.
Práticas Culturais
A cultura de São Roque se traduz na luta para a manutenção da comunidade como um espaço de liberdade. A
preservação é seu marco cultural, o plantio de manejo e as queimadas controladas foi o que garantiu a fertilidade das
terras. Na comunidade desenvolveram-se as lavouras de milho, feijão, mandioca e banana.
As Carreiras - As raias eram os lugares onde aconteciam as carreiras (corridas) de cavalos e se constituíam em
espaços de socialização. Passavam o dia todo nas raias, vendiam vinho, cartuchos de amendoim com açúcar e realizavam
também os bailes.
Religiosidade - A maioria da comunidade se identifica como católicos, embora existam evangélicos.
Comunidade de Santa Cruz
Localizada no município de Paulo Lopes, ali residem aproximadamente 30 famílias descendentes de africanos
escravizados. Fixaram-se na localidade que hoje é chamada de rua Santa Cruz. Desenvolveram atividades relacionadas
à agricultura e artesanato cultural, embora parte da comunidade seja constituída por trabalhadores assalariados.
Comunidade Remanescentes do Quilombo do Morro do Fortunato
Localizada no município de Garopaba nas proximidades da Lagoa do Siriú. Constituiu-se esta localidade
a partir da área de terras de Fortunato Justino Machado, filho da escrava Joana. Atualmente vivem na área
aproximadamente 30 famílias e a falta de condições e infraestrutura não difere das outras comunidades. Os engenhos
de cana-de-açúcar e de farinha de mandioca garantiram a preservação física e cultural da comunidade. Já cultivaram
culturas de café, feijão, banana e palmito. Hoje parte da comunidade vive de trabalho assalariado.
Práticas Culturais
Brincadeiras infantis - As carretilhas são brincadeiras tradicionais.
Religiosidade - São na maioria católicos, havendo também na comunidade adeptos da Igreja Adventista do Sétimo
Dia.
Comunidade Remanescentes do Quilombo Aldeia
Localizada no município de Garopaba, localidade de Campo Duna, com potencialidades para o turismo cultural
a ser desenvolvido no Histórico Engenho de Farinha da Família Passos.
Embora a comunidade se autoidentifique como quilombola e tenha encaminhado toda a exigência do Decreto nº. 4887/03,
ainda não recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares.
Região do Alto Vale do Itajaí
Comunidade Remanescentes do Quilombo Sertão do Valongo
É uma comunidade bastante peculiar. Moram no local cerca de 80 pessoas. A localidade pertence ao município
de Porto Belo. Os moradores são todos descendentes de africanos e praticantes da igreja Adventista do Sétimo Dia.
A palavra VALONGO, segundo os mais antigos, pode significar um local no meio da mata, onde se encontra
um grande vale. Todos os valonguenses de hoje são membros das três famílias: Caetano, Costa e Fayal.
Comunidade Quilombola do Morro do Boi
Numa localidade em meio à mata atlântica, está a Comunidade Remanescentes do Quilombo do Morro do Boi, no
município de Balneário Camboriú. Os moradores relatam que os primeiros habitantes daquela localidade eram escravos
fugidos de Tijucas. Ali residem 16 famílias.
As mulheres atuam como trabalhadoras domésticas em Camboriú e região, e os homens lidam com as atividades
na comunidade e trabalhos assalariados na região do entorno, como as de pedreiro e servente.
Atualmente produziam arroz, mandioca, milho, café, fumo e palmito. Vendiam ou trocavam na cidade por produtos
que necessitavam. Faziam o trajeto de carro de boi ou a pé.
Foram atendidos por um projeto de extensão da Universidade do Vale do Itajaí quando organizaram uma associação
para acompanhar o processo de reconhecimento de sua comunidade. A associação, além de tratar dos assuntos da
comunidade, confecciona bonecas, a Abayomi. A comunidade produz e vende as bonecas aprendidas em uma oficina em
Itajaí e a atividade tornou-se uma fonte de renda.
ABAYOMI: a palavra possui alguns significados, dentre os quais, "meu presente" e "encontro feliz". Conta-se que as
africanas escravizadas faziam bonecas com pedaços de pano de suas vestes para distrair as crianças nos navios negreiros.
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